Levadas para Dakar são obrigadas a pedir esmolas para os mestres corânicos
As crianças guineenses talibés enviadas para Dakar continuam a chegar ao
país de origem, num esforço do Governo e de organizações sociais que
lutam pela defesa dos direitos das crianças.
Há duas semanas, mais um grupo de 19 dessas crianças chegou à Guiné-Bissau.
Enquanto tenta-se identificar os pais ou encarregados de educação delas,
algumas crianças estão ainda concentradas no centro de acolhimento da
Associação dos Amigos das Crianças (AMIC), em Gabú, leste do país.
O Senegal expediu no ano passado uma lei que proíbe a circulação de crianças pedintes nas ruas de Dakar.
Desde então, as organizações guineenses têm-se desdobrado na
identificação e repatriamento dos meninos guineenses que ainda se
encontram no país vizinho e que já não têm contactos com os seus
familiares em Bissau.
De estudantes a pedintes
São as chamadas crianças talibés, enviadas alegadamente para a busca do
conhecimento, mas que acabam por serem empurradas para as ruas da grande
Dakar pelos seus mestres corânicos, em nome de assegurar o pão de cada
dia.
Todos os dias, cada uma tem que entregar entre 700 e 1000 francos CFA, ou seja, de 1 a 2 dólares americanos aos seus mestres.
Uma historia reproduzida à VOA pela presidente do Instituto da Mulher e
Criança, Nhima Cisse, enquanto caminhava numa das tabancas do interior
do país, à procura dos pais das crianças repatriadas:
“São obrigadas a se levantarem cedinho para irem à cidade pedir,
conseguir e trazer dinheiro para o mestre. Quem não entregar o montante
estipulado, entre 700 à 1000 francos CFA é logo maltratada”, explica
Cisse.
Antes da chegada do último grupo de crianças há duas semanas, as
autoridades guineenses e organizações vocacionadas já tinham a lista,
contendo nomes e localização dos seus respectivos pais.
A preocupação agora tem a ver com a sua reintegração nas respectivas comunidades rurais e, sobretudo, no ensino.
“Através do nosso ministério fizemos cartas aos ministérios da Saúde, da
Educação e da Justiça para poderem ajudar na sua reintegração para
poderem ter acesso aos registos de nascimento e serem isentas de
propinas nas escolas e ter um tratamento adequado nos centros
hospitalares”, sublinha a presidente do Instituto da Mulher e Criança.
Plano de retorno
Informações apontam para a existência de muitas crianças a deambularem
nas principais ruas de Dakar, mesmo com a lei em vigor, o que, segundo o
secretário executivo da Associação dos Amigos das Crianças (AMIC),
Laudelino Medina, impulsionou a adopção de um plano de emergência de
retorno das crianças.
Trata-se de um plano que está a ser desenvolvido juntamente com o Instituto Nacional da Mulher e Criança.
O secretário executivo da Associação dos Amigos das Crianças revelou,
por outro lado, que um dos problemas que a sua organização enfrenta
prende-se com a garantia de alimentação das crianças nos centros de
acolhimento.
“Se nós deparamos com a situação das crianças, desbloqueiam um bolo que
nem cobre todas as necessidades no âmbito das operações, que começa
desde a identificação da criança, pesquisa, viagem de retorno,
acolhimento, alimentação no centro, as questões de higiene, saúde,
roupas e mesmo reintegração na família, viagens de projectos de vida de
modo a permitir uma reintegração durável”, explica Medina.

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